Olhar pelos olhos de um sobrevivente
Me chamo Charlie Sambitan. Trabalho como assistente técnico numa ONG.
Sobrevivi ao tufão Haiyan.
Um dia antes da tempestade Haiyan (Yolanda), no dia 7 de novembro fui ao escritório para pegar meu computador e outros itens de valor.
Neste momento, um amigo do Canadá me ligou e me advertiu que uma forte tempestade estava vindo na direção das Filipinas e me disse para eu evacuar a cidade o mais rápido possível.
No momento não levei a sério porque o tempo estava bom e não achei que eu deveria me preocupar.
No dia seguinte a mais forte tempestade que já ocorreu atingiu nossa cidade Tacloban. Foi num piscar de olho e nossa casa estava completamente destruída. Vi barcos voando e sendo carregados por enormes ondas.
Senti como se fosse o final do mundo, combatendo 3 horas de ventos fortes.
Quando olhei para meus familiares, estavam todos tremendo e apavorados.
A única coisa que eu pensava era - ´como vamos sobreviver´?
Quando a tempestade terminou fui para a cidade para buscar comida para minha familia.
Andei nas ruas e encontrei vários corpos ao longo do caminho. Detritos estavam em todo lado.
Um pesadelo que nunca mais eu esqueceria. Muitas vidas foram tomadas e muitos estavam sofrendo sem comida e água.
Não havia ajuda, não havia nada.
Mas Deus é bom, gente do mundo inteiro chegou para ajudar, quando a notícia chegou a comunidade internacional do que havia ocorrido nas Filipinas.
Compartilhamos amor e mostramos simpatia e compaixão. Este tipo de desastres não irá parar por aqui.
Imagino que isso irá acontecer de novo se continuarmos sendo irresponsáveis. Isto já é um efeito da mudança climática.
Um fenômeno que não mais poderemos evitar mas apenas mitigar (aliviar as consequências) amando nossa mãe Terra.